Ando meio distraída, impaciente e indecisa...
e sem inspiração. Sei que o ato de escrever requer muito mais suor que um fato/coisa/pessoa/sentimento inspirador... mas, bah, ainda assim, não dá. Nada de novo hoje.

Mas só para não deixar um imenso gap entre a postagem anterior e uma próxima vim aqui deixar a música das minhas pseudoférias...


video

não choro, chovo.


A Espera

Eu vou esperar a chuva

Não me levanto

Não vou-me

Não desisto

Eu quero as lágrimas das nuvens

para não ter de chorar sozinha.

Lary Guilardi


Essa é antiga. bons tempos de primeiro semestre, quando voltava a pé para casa, sentava em qualquer banco em baixo das árvores, e escrevia. era minha época de ser ao escrever, sabe? era como se eu fosse lápis, ai, não sei explicar. eu senti e escrevia, eu escrevia e sentia.
estava em um dia conturbado quando fiz essa besteira de poucas linhas, mas foi tão verdade pra mim.

... enfim, só posso dizer que não esperei demais. a inconstância do céu brasiliense me deu de presente o pranto.

sou só soul...


Meu ser tão idiota

Nasceu um dia, assim meio do nada, o meu ser tão idiota. claramente entregue à filosofia banal. descrevê-lo seria um erro. sê-lo seria um erro. por fim consumado. ser certo já não mais importa. era meu. mas não o era pequeno. incompativelmente grande. miseravelmente aparente. ah! se o mundo não fosse redondo. lhe faria caixão de mármore e o jogaria no término da planície mundial. platônico, diriam todos. idiota, afirmo eu. e este ser de tão repentino que veio mais despreparado cresceu. braços e pernas alongados, movimentos incertos, estilhaços ao chão. pobre inútil incompetente. talvez sonhasse em só ser, sem o ser, apenar ser. mas pariu-se idiotamente irresponsável. e sem muita complexidade e permissão construiu morada. criatura vil e permanente, choro eu. canta as baboseiras e se disfarça de lirismo. enganou mesmo o poeta, vulnerável disfarçado. não fez ensaios, já entrou em plena peça. volumoso descrente, irremediável errôneo. na valsa perdeu o ritmo, com as notas fugiu seu soul. fantasiou, fantasiou-se. não fez as mímicas, desculpas, mas não rimava. e era meu. subitamente meu. severamente meu. indefinidamente meu. entre arranjado com o ínfimo vermelho pulsador. não estranhamente meu. meu tão ser idiota.

I can't help being myself...

Sempre falam que eu sonho demais. Para tomar cuidado pois a queda pode ser grande, e pra minha pequena pessoa ela tende a aumentar. Dizem que eu acredito demais. Que eu sou tola demais.
Mas, assim como lovely Elvis couldn't "help falling in love with you"... I can't help being myself - então sigo quebrando a cara, mas quem liga, né?.



Não sou imune a mim
A fortaleza chamada alma
não resiste à essencia
Personalidade
- Idealista imoral -
mansamente me adorna
segue a risca o pontilhado
nao faz jus à linha reta.
Desdobra-se, relutante mortal,
a estéril ingenuidade fez-se firme
Não sou imune a mim
cheguei sem vacina
nem data de validade.

Lary Guilardi

Vai Pegasus!!!

Hey, meu primeiríssimo vestibular, prova de exatas caderno pegasus e eu decido escrever poesia nos cantos em branco - que aluna aplicada.


1º Vestibular 2008
Exatas


Os números dançavam irremediavelmente
fingindo serem palavras.
Minha tangente
-displicente fora de ordem-
fechava a saída.
A maldita incógnita
-relutante em não se achar-
já não queria mais ser x
os vértices quadrilateranos
ansiavam por ser mil
os ângulos internos
-taciturnos inquebráveis-
só pensavam em sair,
e o pi
-pobre acompanhante-
fingia ser amável três.
Mas o tempo em função dos ponteiros
-em uma t(p) interminável-
apenas confirmava as restantes horas
de fórmulas fugindo
sistemas não resolvidos
Laryssas em série
e uma constante eletrostática
totalmente inútil
Mas, quem sabe...
Esse Pégasus não voe?

Laryssa Guilardi

não completos


I

Quando uma leitura acaba morro junto.
Ler me é como nascer e morrer. As primeiras páginas são a tediosa gestação, cada personagem surgindo é um membro crescendo. Não conhecer a história é minha placenta nublando a visão; com cada início de trama chegando me torturam as contrações, uma a uma, intervalo a intervalo, sua força tornando-se maior.
Então nasço. Vivo as páginas escritas. E tal como no tão familiar ciclo, morro com as últimas palavras.
No próximo renasço...
Incompleta.

II
Eu vi a semelhança. O que me torna exatamente igual a eles. Vejo-a tão nitidamente agora que a creio quase tocável. Sua abstração não vinha. Tão concreta era que fugia dos limites da idéia. Se comparassem os aspectos me classificariam um deles e acorrentar-me-iam nas páginas de um imortal.

III
Basta papel para fugir a inspiração.

IV
A impossibilidade de te ter.
O que seria de minha’lma se a impossibilidade de te ter fosse impossível?

Lary Guilardi

Soldado distrital...

Meu voto é arma bélica.
Não voto em candidato x. Voto contra candidato y.
Voto para aniquilar. Para derrubar.
Para tirar do poder quem me tira do sério.

Meu voto não é agente secreto.
Ele grita, se rebela, escandaliza.
É assassino que prefere ser pego
a quatro anos de sentença, culpado de mudez.

Não acredito em horário eleitoral e suas guerras frias.
Meu voto é focado no calor da batalha, nas cabeças rolando
- cabeças, contas na Suíça, malas e fundos falsos –;
quero feridas jorrando sangue e meus impostos pelas ruas.

Sei que sou soldado anônimo.
Mas não sou um soldado só.
A população ‘canário’ logo se arma
E o perímetro do quadrado delineia toda a legião
- a coragem urbana é concreta por natureza,
não tem curva, é direta, angular e fere;
não tem essa de te vejo na esquina, o combate é frente a frente.

E se, por fim, o batalhão de políticos tiver baixa total
declararei meu voto veterano
- a aposentadoria pacífica lhe renderá o direito de escolha.
Mas, por hora, carrego meu título
- a munição é minha cola
a urna é a mira –
e me preparo para a aniquilação.
E que trema o Buriti,
o seu futuro é incerto.
Hasta la vista, baby
- headshot.

Prada pra que?

Achei esse no fundo das pastas aqui no pc... do tempo da roubalheira em Brasília - ops... de agora? Oo?


Bolsa Pra Que Te Quero

Bolsas pra que te quero
se tenho as meias?
Se a cueca é GG?
Se o paletó tem fundo falso?
Bolsa pra que te quero
se o dinheiro do trabalhador
fica melhor entre roupa e pele?

E o mundo é um grande açougue...

Então... Havia uma promoção. Havia uma mãe - fanática por promoções. Havia uma filha sem muita coisa útil na cabeça. Havia uma pergunta: Como é o seu churrasco perfeito?
Houve essa resposta:


"Meu churrasco perfeito é como a vida. Não tenho vergonha de falar, minha vida é SIM um churrascão. Meu churrasco vida, ou minha vida churrasco, é igual àquele de dia de domingo - que não é dia de feira, mas dia de farra. Onde a gente faz uma farofada gostosa e interessante de amigos, filhos, mães, conhecidos e desconhecidos - o bom humor da novidade nunca pode faltar.

É um mexidão só: um pai alcatra, aquele tio maminha, o primo filé, a vó pão com alho, o chefe pão duro, não falta nada, a exigência é serviço completo.

Vai e vem as peças, mas é a picanha que todos esperam: gordura na medida, muita carne e a conhecida cor do pecado, que só o calor no ponto pode dar - isso é peça de açougue ou o vizinho?

E é na levada do pagode que as gargalhadas se encaixam no compasso com dança pra lá, passos pra cá, fusas ali; o ritmo se revelando o tempero.

Só que tal como na vida, sempre chega a hora de bater em retirada... mas a gente pede aquela cerveja - a loira não falsa -, e como todo bom brasileiro deixa pra semana que vem. Pois despedida é como a saideira, nunca é pra valer."




ps: não que goste de cerveja, nem de pagode e nem do vizinho. eu sou apenas "uma fingidora, que finge tão completamente, que chega a fingir..." quem entendeu entendeu.

Querer...

Não sou do tipo de pessoa
que sabe o que quer
Sou do tipo que sabe exatamente o que não quer.

Sei que não quero me ater a quases
- só aceito a vida por completo -
Não quero uma 'vida pública'
o individualismo coletivo
- sem repartições e estabilidade -
é o meu concurso favorito.

Meu caminho ainda se faz torto
cheio de curvas e todo nublado
A neblina parece eterna
e a visão nunca ajuda

Mas, sei que evito atalhos
não quero o que é fácil
sem mérito
- não quero cair sem batalha.

Não sei o que quero
mas não quero o que sei
- viver me é um eterno desconhecimento

Ready? ............... Fight!


Jogo

Cansei de joguinhos
eu quero a coisa certa
sem dados rolando
sem sorte envolvida
Cansei de joguinhos
eu quero você
e não passo a rodada.
Lary Guilardi



. este é bem antigo e bem bestinha... mas, ah! eu gosto.

hey people,
só pra agradecer os comentários dos posts anteriores; é bom saber que o que fazemos agrada xD
Aqui vai mais um texto que soa um tanto quanto melancólico e é um tantinho velho o querido, mas ainda expressa a mesma impressão que tenho do mundo, vida e etc; só que com um porém, hoje em dia vejo tudo bem mais colorido - a mesma imagem, só que pintada ^^'. sem motivo nenhum, é óbvio. mas o que seria de tudo se a gente não mudasse desregradamente sem saber a razão?

Enfim, não deixem de comentar, criticar, apoioar, discordar, filosofar e etc.


A Espera.

Meu mundo se resume a uma grande espera. A descobri ao acordar.
Minha espera magnificante, marcante, marcada... Minha. Foi-me entrege pelo não celeste destino.
ou por sua falsa existência. Um possível acaso pode ser pensado. Mas, era minha. Escrita nas linhas do futuro já dito, ou jogado ao vento pela coincidencia calada... era minha.
A ação contidiana de torná-la real, era cada vez mais enfadonha.
Não havia esforço. Ela se auto-tutelava.
Minha, querida minha, deitava-se e...
esperava.
Uma transitividade passageira. Intransgressível em minha alma.
Talvez me canse de seus pertubadores sussurros, e vá abandaná-la na esquina próxima. Seguir então no cruzamento, passar pelos trilhos parados e fugir para onde não me é impresso.
Essa bendita espera tortura-me.
Sento-me em frentre a janela.
No confortável sofá e seu couro roído - viver é virar couro de sofá velho, morrer é declarar fim do estofamento.
A janela abre-se, o vento corre. Toca-me. Corre. Correm. Vivem.
Eu ainda espero.

Laryssa Guilardi

ninho de flashes



“Somos pássaros novos longe do ninho”
– um dia.

Digníssimos leitores de minha lamacenta e esquecida terra de sapos,
Quanta mentira hoje em dia né? Um tanto away o assunto, eu sei. Mas, ainda assim, quanta mentira há hoje em dia. A superficialidade de tudo me assusta. A minha superficialidade me assusta - me apavora.

Como escrevi certa vez:

“não sentimos
não vemos
não somos”

Sei um pouco de tudo e de tudo um pouco, mas nunca sei. Gosto de muitos, mas não amo nem um pouco. A piada me é sempre momentaneamente engraçada, tudo me é momentâneo. Esqueçam as metáforas: a vida como um trem, um barco, um sonho, uma peça sem roteiro, uma ópera de apresentação única... podem funcionar no papel, funcionar na alma lírica; mas a realidade é dura como a rocha, viver é muito mais simples e ingrato do que todos figuram.

Tudo é resultado de química, de processos metabólicos e sinapses; somos todos feitos de sensações. E sensações não duram, não são profundas e nem acopladas de inúmeros adjetivos; são apenas flashes.

Certo, além de mim, ninguém entendeu nada. Ainda hei de escrever mais detalhadamente e mais explicitamente sobre o que penso de fato. Mas, tenho que seguir o tracejado que me deram; uma resenha me espera e a vida continua – rocha.

“Eles passarão, eu passarinho...”
– ou não.



Aqui vai um trecho de algo que escrevi quando presenciei um suicídio - pode até estar exagerado, mas na hora em que escrevi ... bom, digamos que eu estava em estado de choque.

"Finjamos ser pássaros. Finjamos voar. Finjamos haver na porta o escrito "escape". E voemos. E voaram. E voou. E tomou armas contra um mar de calamidades, como o príncipe shakesperiano desejara, pondo-lhes fim resistindo.

Somos menos. Nasceu mais um. Ainda somos menos. Dentro. No fundo. Somos menos.

Àquele que deu seu ultimo suspiro como pássaro ferido."

Melodia

Sou cigarra
Cigarra soul

Não canto em Mi-m
minha clave é Só-l
Meu exo
fugiu esqueleto
- é alma –
Minha pele,
grotesca menina,
é a mesma
- in pura -
Não troco,
não cresço
-prendi-me enfim-
Não grito,
sussurro
Não chamo,
solfejo
Não há clamada tônica,
revelo-me sensível.

Cigarra soul
Sou cigarra
Não canto em Mi-m
Minha clave é Só-l
Caminho em Ré

Laryssa Guilardi

Parto

O que esperar quando não se está esperando?
quando os meses, os nove, são anos não planejados?
quando natal se resume a um dia
[sem pré nem pós?

O que fazer se o médico ainda estapeia na espera do choro?
se o cordão ainda está ligado
[e intacto?
se o engatinhar não cresceu passos nem corrida?

O que dizer se minhas palavras
[são sílabas
e seus sentidos
[são monos?

O que viver se ainda sou recém
- nascido
crescido
perdido?
se me vou a ninar
soluçando a dúvida:

se o parto foi luz
ou se parto
[no escuro?

Lary Guilardi

ser...

Agan Harahap: Super Hero Photography

Ser poeta me é ingrato. melhor seria se ativista, se militar em fronte de batalha, se legislador com o poder nas mãos. mas, tudo que me resta é tinta e papel. minha'lma, exacerbada em rimas, me atormenta frente a qualquer possibilidade de não só poeta ser. sei que palavras mudam o mundo. mas, as minhas, ou são muito fracas ou muito novas, e meu papel insiste em acovardar-se na gaveta. se eu fosse autônoma, se meu eu não fosse lírico, talvez pudesse por a capa e ser herói. mas, ainda sou a do óculos, na espera constante pela aranha e seu veneno, pelas teias e o super.

Nossa imensidão azul...

este é fruto de uma tarde sozinha na queridíssima unb, cara a cara com o painel azul sem nuvem nem nada, só vento e light blue.



Nosso mar é lá em cima.

Este é para aqueles...
para aqueles que nasceram planejados
com ruas cerebrais bem espaçadas
sinapses sem esquinas
com pensamentos agrupados em pares e ímpares
Para aqueles que se acharam desenhados
[e enquadrados
para aqueles que seguiram em legião
ao som de música urbana
Para todos aqueles que vieram de sonhos
que em si encontram avião
pronto para a decolagem e o mergulho no céu aberto
em meio a peixes batendo asas
e ondas de algodão
Para todos aqueles que tocam o céu e se molham
Pois, nosso mar é lá em cima
- e nossos sonhos se figuram em bolhas.

se...

Se me encontro

Ai! Se me encontro um dia
se me vejo pela esquina
a esgueirar-me pelos cantos
a fugir dos detalhes
dos patrícios - ponteiros.

Ai! Se me pego sob o teto
das brilhantes estreladas
me fingindo em ser-me eu
casa de ferro desmantelada

Ai! Se me acho em estação
em folhas secas amareladas
brincando de se me ser não
margarida murcha, despetalada

Ai! Se me reconheço no reflexo tremido
da agua instável nas corredeiras
Se me afogo na descoberta
e me permito não ser mais.

Essa é antiga, do início das histórinhas que marcaram os cinquentinhas da nossa brasilinha. estava em pleno preparatório para concurso quando a escrevi, aula de interpretação de texto - interpreto textos da forma que me convém, nem adianta tentar me ensinar =P~. enfim, comentem e digam o que acharam. bom fds pra vocês, logo logo mais uma crônica da pequena aqui.


Não vos farteis de panetone

Não vos farteis de panetone
novo artigo da lei orgânica
- que já apodreceu -

Não vos farteis de panetone
nos hospitais serão remédio
nas escolas darão as aulas
para a polícia munição

Não vos farteis de panetone
pois o querido gov.
se nomeou Noel
e dedicou a verba em espécie e viva
à massa branca e frutas cristalizadas
- duplos sentidos permitidos.
Lary G.

Acordando...

Acordo Ortográfico

Hoje acordei ortograficamente errado
Achava-me certo,
pois sempre acordo ortográfico
Mas, junto com a ficha
caiu-me o acento
e achei-me errôneo

Sonhei que acordando ortográfico
ligaria a todos
quem vaievém
quem grita Terra a vista!
quem oferta Terra à vista!
Mas meu voo perdeu suas hélices
e na queda escutei a verdade
"Não trema se o acordam ortográfico."
Lary Guilardi

Ps: ahh, acho que consertei o trem dos coments, ;D. Qlqr coisa fala comigo - aí vou ter que trocar de template x_x, mas beleza, tem uns legaizinhos a vista já *_* .

Old ones II

Quem se cansa de nostalgia? eu não, por enquanto.
Mais coisa antiga. não é preguiça de escrever novas, é falta de tempo. ou melhor, falta de organização de tempo. falta de aproveitamento de tempo. enfim, ainda aprendo. but, while I don't... here we go with my old friends:



Fujo de Ti.
Fujo de ti como nunca fugira antes. enlaço-me logo no seu olhar.
É necessário distância. já sou forte. mas ainda preciso kilometros.
Fujo, incontestavelmente covarde. ver-te sorrir me amedronta.
Detestável lembrança do não te odiar. são meus enseios, anseios, mais secretos...
estourar-me em mil e aumentar a probabilidade de te ter. fincou-se firme.
Âncora humana, o mar não é sua casa, o peito e o pulsador tornam-se porto.
Nau, capitania, barco a vela, é minha tormenta mais tempestuosa. sei que exagero.
Sei que a calmaria chegou. mas, ainda fujo de ti. não teria forças para descobrir se meu
naufrágio está no fim.
Laryssa Guilardi


Trabalho

Ser poeta deveria ser profissão
tortura-me sê-lo nos momentos vagos
e macanizar-me em 40 horas semanais.



Be Me Quer Mal Me Quer

Não posso bem me querer
bem te querendo
Se bem te quero
mal me quero
Fato, sinto lhe querer.


Pontuação

Pontuei minha vida.
Ponto.
Ganhei.



Pontuação II

Pontuei minha vida.
Ponto.
Entre nós reticiências
Se me declaro nem cabe vírgula
Se não o faço lhe ponho em aspas - ironizo amor.



Começar é o mais fácil.

Atire a primeira pedra quem nunca ouviu o jargão: o primeiro passo já é a metade do caminho. pois bem, desculpe se destruo fantasias infantis, mas é tudo enganação. o primeiro passo é simplesmente o mais fácil. todo mundo dá o primeiro passo em algum percuso - ah, metáforas - todo dia. começamos uma aula nova, um curso novo, começamos a escrever, a pintar, a pular, a praticar parkour, a fazer dietas, a cuidar da pele, a ser mais pontual; e por aí vai uma lista imensa de tudo que se é começado.

Se fosse tão difícil a lista não seria essa ridicularidade de grande e nem haveria tantos dispostos a lançar o primeiro pé e caminhar.

A sensação de iniciar é revigorante. nos sentimos os reis da mudança, somos quase Jack e sua Rose em plena navegação gritando aos quatro ventos - puro sentimento de liberdade. o ânimo é completamente novo, quebra qualquer regra de divisibilidade e aparenta não ter fim. afinal, essa já é toda uma metade do caminho, não?

Não. seria pessimismo meu dizer que é a simples primeira parte de muitas outras? não também.

Mas, o fato é: não é os 50% prometido. se fosse, seria extremamente difícil fazê-lo, quando o que vemos é sua estranha e verdadeira facilidade em ser completado.

Hard work mesmo é continuar. depois do primeiro dia de dieta vem a terça - ou quinta pra quem prefere as quartas como dia inicial, moi - e nada do peso diminuir e tudo daquela bandeja de brigadeiros se aproximar. é querida, você já conseguiu a metade de todo o trabalho, merece um prêmio, e nada como chocolate para prêmios! amanhã você faz essa parte de primeiro passo de novo, quem faz uma vez faz mais. e esse é o problema: quem começa uma vez permanece começando.

E isso serve para todo e qualquer outro exemplo - iniciar esporte, livro, estudar, namorar, e ao infinito e além.

Não que eu queira desestimular seus primeiros passos, nunca.

Mas meu ponto é, sinto como se estivesse em uma incessante e interminável primeira passada. e o cliche mentiroso sempre tenta me animar, "só falta mais uma metade". detesto mentirosos, e não me sujeito a mentiras. portanto, é como se tivesse que afirmar em algum canto - no guardanapo do bar, na fronha do travesseiro, no diário esquecido, ou no blog iniciante - que começar É o MAIS FÁCIL. que levantar e achar que pode mudar o mundo é pra qualquer um - exceto nas segundas e domingos. que trevas e pesadelos mesmo é dormir com a mesma vontade - vontade não, com o mesmo sentimento, talvez -, e ir além, acordar no dia seguinte certo de continuar o que começou e ir dormir semanas depois absolutamente consciente de que, agora sim, está na metade do caminho.

É como se eu estivesse em um daqueles gigantescos mercados de trocas, lhe dou isso de achar-se no eterno beggining por aquilo de estar um tanto quanto adiantada, ou apenas no lugar certo.

Desculpas. Não quis generalizar. sei que muitos conseguem terminar. mas o que vejo é: a grande maioria só começa. eu faço parte dessa maioria.

Uma idéia para ajudar? sei lá.
brinks. talvez, estar ciente da verdade já seja fator transformador. a partir do momento que sabemos o que de fato é mais díficil podemos nos preparar melhor. e assim, iniciar a 'jornada' com a mesma simplicidade de antes. mas, um tanto mais fortes; pois conhecemos as sete cabeças à frente.

e, quem sabe, nem seja assim um monstro.

Old one...

Ah, meio sem tempo para postar algo novo, então aqui vai outro antigo que gosto bastante - mas nao sei pq, me lembra alguma outra coisa; uma música, poesia ou sei lá... mera semelhança ou não, ai vai...


Eu vejo tudo girando,

a mariposa virando flor

Eu vejo os raios cantando

Eu vejo o mundo

assim como for



A vida se repete

Eu faço aquilo que eu quiser

A vida se repete

Eu levo a vida como der...

Lary Guilardi

Again...

Ahh,
como eu amo nostalgia. Mais parece com nome de remédio, mas, quem liga?
Sei que já postei hoje, mas olhando uma paste de poemas antigos li um de minha época ultra-romântica platonicamente apaixonada e achei um que eu adorava, considerava minha pérola negra querida... u_u... enfim, falta de visão a parte, não é de todo ruim. Extremamente exagerado? Fato, mas como diria o poema:
"O poeta é um fingidor
que finge tão completamente
que chega a fingir que é dor
a dor que deveras sente..."
[não exatamente com suas palavras, eu acho, memória não tão confiável, sinto.]

Então aqui está a dor fingida ...


Não

O caralho que gostar não dói. Filho da puta o que não vê complexidade. Apaixonar-se de cú é rola. E que o coração fragilizado vá para a merda com o seu ar de para sempre amar. O mundo é dos fortes e para os fortes, porra. Cresceu romântico? Vai belamente se fuder! Tomar no nú os olhares ambíguos e as frases incertas. Eu quero vida e não essa putaria. Não combina com o baixo calão, mas, ah! querido, este planeta não cede ao amor.

...

Como dito em um post anterior, aqui estão os ultimos dois 'escritos' da manhã sonolenta quase desperdiçada...
...

[se saíram ruim tenho minha desculpa... sono não é elemento de inspiração, ponto.]
....






Recaída
Andava muito bem.
Surgiu você.
De novo.


como pedra de tropeço,
como abismo no fim do monte,
como fenda no caminho,
buraco inesperado.


Andava muito bem.
Surgiu você.
Caí.
De novo.
...



Mutatis Mutandis
[mudando o que deve ser mudado]

Mutatis mutandis
outra vez
Mutatis mutandis
enervorosamente
Mutatis mutandis
com enlouquência
Mutatis mutandis
Mutatis mutandis
Mutatis mutandis

ainda me sou...
Mutatis mutandis
Ainda
Mutatis mutandis
a mesma
Mutatis mutandis
...
enfim,
nem os mortos me ajudam.

...

Hoje numa terça nublada tenho as melhores das companhias: Chuva, raios e trovões, um bom livro de moça, muffins de chocolate e uma cachorra manhosa no pé.
Nada mais melancólico que tudo isso adicionado às gotas de chuva escorrendo pela janela, certo?
Enfim... sem muita inspiração, e nem um pouco a fim da parte transpiração do processo criativo – frase célebre: é necessário 10% de inspiração e 90 de transpiração. Então deixo hoje um texto do meu poeta favorito, um dos, Gonçalves Dias.


Olhos Verdes
Golçalves dias

São uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos de verde-mar,
Quando o tempo vai bonança;

Uns olhos cor de esperança
Uns olhos por que morri;
Que, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo

Depois que os vi!
Como duas esmeraldas,
Iguais na forma e na cor,
Têm luz mais branda e mais forte.

Diz uma - vida, outra - morte;
Uma - loucura, outra - amor.
Mas, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo

Depois que os vi!
São verdes da cor do prado,
Exprimem qualquer paixão,
Tão facilmente se inflamam,

Tão meigamente derramam
Fogo e luz do coração;
Mas, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo

Depois que os vi!
São uns olhos verdes, verdes,
Que pode também brilhar;
Não são de um verde embaçado,

Mas verdes da cor do padro,
Mas verdes da cor do mar.
Mas, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo

Depois que os vi!
Como se lê num espelho
Pude ler nos olhos seus!
Os olhos mostram a alma,

Que as ondas postas em calma
Também refletem os céus;
Mas, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo

Depois que os vi!
Dizei vós, ó meus amigos
Se vos perguntam por mi,
Que eu vivo só da lembrança

De uns olhos da cor da esperança,
De uns olhos verdes que vi!
Que, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo

Depois que os vi!
Dizei vós: Triste do bardo!
Deixou-se de amor finar!
Viu uns olhos verdes, verdes,

Uns olhos da cor do mar;
Eram verdes sem esp’rança,
Davam amor sem amar!
Dizei-o vós, meus amigos,

Que, ai de mi!
Não pertenço mais à vida
Depois que os vi!
E por favor.... Comentem!

concurseiros de plantão...

Sonho com o Edital



Eu sonho com o edital. Com o edital perfeito, onde no item 4.1 e seus subseqüentes encontram-se os requisitos dos cargos, e estes requisitos são meus. Meus e de mais ninguém. Minha idade, cor dos olhos, cor do cabelo, sequencia do DNA, impressões digitais.
E tal edital conteria em seus anexos o conteúdo da prova, e eu dominaria todos. Com chicotes, grilhões, punições e leis severas. Seriam meus servos e se colocariam ao meu dispor no domingo concurseiro.
O item descritor das funções também me seria perfeito. As atribuições em nada pareceriam com as atuais dos repetitivos cargos administrativos, nada da monotonia e enclausuramento dos papéis, processos e procedimentos. Eu seria extremamente útil para a organização - de forma dinâmica, diferente e revigorante. O salário não seria exorbitante, ainda sendo sonho, nada de seis dígitos, me bastariam cinco, não muito altos, nem muito baixos. O suficiente para uma vida necessariamente divertida, confortável e livre.
E, logo após sonhar com o edital, acordo... com outro. A verdade? Outros. Poligamia permitida, me ‘apaixono’ por muitos e cedo á libertinagem... os imprimo, os leio, os risco, os estudo e os decoro; no fim, me inscrevo. Contudo, nunca esqueça, amor algum é de graça; o boleto bancário sempre espera no dia seguinte.
Mas, continuo na constante espera pelo amor da minha vida, o edital, o edital dos sonhos.

Acordando cedo...

Uma manhã nunca é desperdiçada.
Cheguei as oito em um curso que começava as dez - não me atentei para o detalhe, falha minha, as usual - e o que fiz? Escrever escrever. Nada de muito útil ou obra de arte, apenas besteiras em linhas, brincadeiras com o latim, joguinho de palavras; mas o suficiente para acordar uma manhã bastante sonolenta.
Então, eis aqui o primeiro da trilogia:


Sine qua non [indispensável]

Fez-se indispensável
Fez-se minha língua morta
-linguisticamente errado -
Fez-se mais presente
-mesmo sem se ser-
Fez-se feito imaginário
Fez fruto sem semente
Fez-se sina...
Sine qua non.
Lary Guilardi


A Mágica.

24 de Fevereiro, 2010.

É muito simples como apenas acontece. Uma hora está e ele é, logo depois, não está mais e ele não se é. Rápido e eficiente.
Não é necessário muito, basta a armação velha e mal feita - fashionistas que se mordam, mas esses são os mais recomendados – um par de lentes grossas e pronto. Tem-se todos os item necessários à mágica da transformação. Em um ligeiro tira ou põe, a feia torna-se bela, o estabanado se despe em herói, o mundo fica belo ou apenas volta ao normal.
É tudo tão eficaz que nenhum outro elemento tem a capacidade de interferir. A voz não indica pista alguma de que o usuário dos elementos magicistas não é o mesmo; sua altura, cor dos olhos, modo de andar são mero detalhes despercebidos. E o melhor, a mágica não se restringe ao externo, tudo muda lá dentro.
O Kent ao tirar os as lentes voava com Lois em seus braços, permanecia diante dela sem aquela leve curvatura de seus ombros, típica do acanhamento. Não apenas o super, de vermelho e cueca, transformava-se sem o bendito acessório; Parker também era levado ao mundo da auto-estima e confiança, deixava o nerdismo de lado e virara aranha. Outras trocavam a armação pelas lentes plásticas internas e dançavam como rainhas do baile.
Tudo pode acontecer ao colocá-lo ou ao tirá-lo. Se foge, coloque-o, não irão te perceber. Se quer ser notado sem ser, tire-os, te perceberão, mas nem serão capazes de lembrarem de quem era antes.
E se a mágica não fosse invenção Holywoodiana para cobrir os erros de roteiro? “Tudo errado, assim ela vai saber que ele é o herói!!!” braveja o diretor. “Aqui os óculos!!” corre o contra-regra.E tudo em seu devido e certíssimo lugar. Mas... e se fosse real? Tiraríamos todos os óculos ou nos esconderíamos atrás deles? Ou melhor, inverteríamos essa idéia tirana e deixaríamos quem não os usa como os não mais mocinhos, totalmente vulneráveis a quem ou o que quer que seja, e os portadores das lentes mágicas como os seres mitológicos providos dos poderes e capacidades auto-afirmativas necessárias para no fim ter seu happy ending?
Qualquer que seja a ordem, qual quer que seja a idéia deturpada de seus efeitos milagrosos e mirabolantes, sinto que devo estar preparada; amanhã, as nove da manhã, tenho hora marcada com meu oculista.

. Porque em terra de sapos parkour já era moda há muito tempo...

Minha terra

Terra de Sapos. Literalmente. Não aqueles que viram príncipes, mas, aqueles que são sempre sapos, e em ser sapos são completamente.

É o que me importa. Não se somos sapos, mas se somos por inteiro.

Transcrevo então minha terra de sapos; meus sapos e seus concursos, meus sapos e suas filas, meus sapos e seus editais, meus sapos e seus amores.

[e que venha o modismo útil e satisfatório de escrever]

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